quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Sem acordo salarial, médicos abandonam hospitais públicos de Pernambuco 16/09/2008

No impasse entre o governo do estado e os profissionais, pacientes que precisam de cirurgias e de atendimento urgente, são os mais prejudicados.

Karla Almeida - Recife


Na maior emergência do estado, corredores lotados. Uma mulher conta que a irmã, ferida por um tiro na perna, aguarda há 12 horas para ser operada.

“Ela está na mesma lá, com a perna toda ensangüentada. E eles não dizem se vai operar ou não”, conta Maria José de Britol, irmã de paciente.

Em um hospital, dos 15 médicos vinculados ao estado, 14 pediram demissão. O serviço de ortopedia, que corresponde a 60% do atendimento, está quase parado. E os 140 pacientes que precisam de cirurgia vão ter que esperar.

"Isso caminha para um colapso. São pacientes que apresentam fraturas e eles precisam de um tempo hábil pra resolver seus problemas”, fala Múcio Vaz, médico.

As demissões também desfalcaram o serviço de urologia do hospital. Dez dos 14 médicos do setor entregaram os cargos. Quase 500 pacientes aguardam uma cirurgia de próstata.

“A partir do momento que você marca uma cirurgia eletiva e se houver alguma emergência que ocupe o leito que esse doente ocuparia eu tenho que suspender a cirurgia”, diz Evandro Falcão, médico.

Dos 4.900 médicos do estado, 392 pediram demissão. As emergências e UTIs são as áreas mais afetadas.

O impasse se arrasta há cinco meses, desde que os médicos começaram a negociar aumento de salário com o governo do estado. Mas de lá para cá só houve retrocesso e a população, que depende dos serviços da saúde pública é que está sendo penalizada.

Um dos pontos que emperram a negociação entre governo e médicos é o parcelamento do aumento. O governo aceitou pagar os 60% de reajuste, mas quer fazer em cinco parcelas. Os médicos querem em três.

E o governo não aceita cumprir outra exigência, que é equiparar o salário base dos plantonistas, de R$ 2,9 mil, à maior remuneração da categoria, no caso, a dos neurocirurgiões, que ganham R$ 5 mil por mês.

Enquanto isso a população, que precisa de atendimento médico é obrigada a ter paciência. Rosa Maria trouxe o irmão para uma consulta com o urologista. Precisou voltar pra casa porque não havia médico no ambulatório.

"Marquei pro dia 15 de setembro. Quando eu chego não tem médico para o meu irmão, eu pergunto se tem outro para substituir e elas falam que não”, conta Rosa Maria, irmã de paciente.

O secretário estadual de saúde, João Lyra neto, não gravar entrevista.

A assessoria do governo do estado informou que foram contratados mais 80 leitos em seis hospitais particulares.

O governo também abriu vaga para contratar 240 médicos, mas até agora só conseguiu empregar 40.

Clique no link abaixo e veja o vídeo da reportagem:

Fonte: G1 - Globo.com http://www.g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL761137-16021,00-SEM+ACORDO+SALARIAL+MEDICOS+ABANDONAM+HOSPITAIS+PUBLICOS+DE+PERNAMBUCO.html

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